Conheça o Foguete Japonês H3 que Fortaleceu a Competitividade do Japão no Mercado Aeroespacial
Autor: Gabriel Cabral, Ivan Vinícius e José Henrique Fernandez - Puclicado em: 20/06/2026
Introdução
Na última sexta-feira, 12 de junho, pouco antes das 10h, a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) lançou, diretamente do Centro Espacial de Tanegashima, o mais novo foguete H3, levando consigo 6 pequenos satélites para a realização de testes. A missão teve como principal objetivo analisar o desempenho de voo do H3 para missões futuras.
Foguete H3
O foguete H3 é o mais novo veículo de lançamento do Japão, sendo atualmente o principal representante do mercado aeroespacial japonês, constituído de ligas metálicas leves e fibras de carbono. Ele é um novo sistema de lançamento descartável que utiliza combustíveis líquidos e boosters de combustível sólido (motores de foguete auxiliares que utilizam propelente em estado sólido). Sua proposta principal é ser um veículo de baixo custo, com alta flexibilidade e confiabilidade, sendo capaz de alterar o tipo de carenagem, a quantidade de motores no primeiro estágio e a quantidade de boosters conforme a necessidade da missão. O seu principal motor é o LE-9, o qual produz um empuxo maior que qualquer outro motor de foguete com combustível líquido já produzido pelo Japão. Devido a essa necessidade, foram utilizadas peças de impressão 3D e a retirada de algumas peças, reduzindo o custo e aumentando a sua confiabilidade.
Satélites a Bordo do H3
Ao todo, 6 satélites foram enviados pelo H3: PETREL, STARS-X, BRO-22, VERTECS, HORN-L e HORN-R.
O PETREL (Platform for Extra and Terrestrial Remote Examination with LCTF) é um microssatélite construído pelo Instituto de Tecnologia de Tóquio com o objetivo de mapear o céu em comprimentos de onda ultravioleta e realizar observações espectroscópicas da Terra.
O STARS-X (Space Tethered Autonomous Robotic Satellite X), desenvolvido pela Universidade de Shizuoka, é um satélite projetado para capturar detritos espaciais. Ele é composto por um satélite-mãe e um satélite-filha conectados por um cabo que pode ser estendido a até 1 km em órbita, permitindo que um dispositivo percorra essa estrutura para coletar os detritos utilizando uma espécie de rede.
O BRO-22, diferente dos demais satélites, faz parte de uma constelação de satélites desenvolvida pela empresa francesa Unseenlabs, chamada BRO (Breizh Reconnaissance Orbiter), a qual tem como objetivo o monitoramento do espectro de radiofrequência e a inteligência de sinais para a vigilância do tráfego marítimo e aéreo.
VERTECS (Visible Extragalactic Background RadiaTion Exploration by CubeSat) é um nanossatélite projetado para evidenciar a história da formação estelar por meio da observação da luz extragaláctica de fundo (EBL). O VERTECS foi desenvolvido por uma colaboração de diversas universidades, institutos e centros de pesquisa, sendo eles o Instituto de Tecnologia de Kyushu, a JAXA, a Universidade da Cidade de Tóquio, a Universidade Kwansei Gakuin, o Centro de Astrobiologia da Universidade Meisei, o Instituto de Tecnologia de Tóquio, a Universidade de Kanazawa, a Universidade de Fukui, a SEIREN Co., Ltd. e a Cosina Co., Ltd.
HORN-L e HORN-R
HORN-L e HORN-R são um par de nanossatélites produzidos pela BULL Co., Ltd. , uma startup espacial japonesa da cidade de Utsunomiya. Seus principais objetivos são acelerar a remoção de equipamentos espaciais desativados da órbita. Eles são acoplados a satélites para que, quando estes parem de funcionar, o mecanismo seja ativado e reduza gradualmente a órbita do satélite, levando-o para a atmosfera terrestre, onde ele é destruído pelo intenso aquecimento.